939 - EXPERIÊNCIAS DE DISCRIMINAÇÃO E TRANSTORNOS MENTAIS COMUNS: RESULTADOS DO ELSA-BRASIL
ENSP/Fiocruz; IOC/Fiocruz; IOC/Fiocruz; ISC/UFBA; Universidade do Porto; Fiocruz.
Antecedentes/Objetivos: A discriminação é um estressor psicossocial que impacta negativamente a saúde mental. O estudo tem como objetivo analisar a prevalência da discriminação entre homens e mulheres e sua associação com marcadores de posição socioeconômica e transtornos mentais comuns entre os participantes.
Métodos: O estudo incluiu 11.909 participantes da segunda visita do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil; 2017-2019), avaliando experiências de discriminação por autorrelato com escala validada. Estimaram-se prevalências estratificadas por gênero e seus respectivos intervalos de confiança (IC95%). Foram realizadas análises bivariadas e de regressão logística múltipla, com estimativas de odds ratios e intervalos de confiança de 95%, considerando marcadores sociais (gênero, raça/cor e escolaridade) como covariáveis.
Resultados: A prevalência de quaisquer experiências de discriminação foi semelhante em ambos os sexos (em torno de 75%) e esteve associada a alguns marcadores sociais, como raça/cor e escolaridade (p < 0,001). As maiores prevalências estiveram entre as pessoas do sexo feminino com raça/cor preta e escolaridade até ensino médio ou superior completo. Já entre os homens, prevalências mais elevadas foram observadas entre aqueles que cursaram até o fundamental completo. Transtornos mentais comuns foram mais frequentes entre mulheres expostas às experiências de discriminação (69,8) do que entre homens (30,1%). Nas análises ajustadas para sexo, raça/cor e idade, aqueles que foram expostos às experiências de discriminação, apresentaram 2,59 (IC95%: 2,31-2,92) vezes as chances de ter transtornos mentais comuns, se comparados aos que não foram expostos.
Conclusões/Recomendações: Os resultados sugerem que, embora as prevalências de experiências de discriminação tenham sido elevadas em ambos os sexos, marcadores sociais, como raça/cor e escolaridade, se mostraram preditores diferenciados entre os sexos, mostrando uma maior vulnerabilidade feminina. Isso mostra que as mulheres são frequentemente expostas a diversas formas de opressão, principalmente as mulheres pretas, alertando para a necessidade de estudos capazes de investigar a sobreposição dessas opressões e, assim, possibilitar o desenvolvimento de políticas públicas com um olhar interseccional. A alta prevalência de transtornos mentais comuns entre as mulheres, se comparadas aos homens, mostra o quanto as mulheres são mais adoecidas quando expostas a adversidades psicossociais. Além disso, independentemente do sexo, evidenciou-se que os indivíduos que foram expostos a diferentes experiências de discriminação apresentaram maiores chances para transtornos mentais comuns.
Financiamento: Ministério da Saúde, Brasil.










