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XLIV Reunión anual de la Sociedad Española de Epidemiología (SEE) y XXI Congresso da Associação Portuguesa de Epidemiología (APE)
Pamplona, 23 - 26 junio 2026
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36. CO 15. Legionelosis y otras transmisibles
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589 - INFEÇÃO HUMANA POR VÍRUS ORF EM PORTUGAL: UM CASO SENTINELA E OS DESAFIOS DA VIGILÂNCIA ONE HEALTH

F. Canha, A.F. Santos, D.G. Simões

Serviço de Saúde Pública, Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal.

Antecedentes/Objetivos: A infeção por vírus ORF (Parapoxvírus) é uma zoonose associada predominantemente a pequenos ruminantes, com transmissão ocasional ao ser humano, particularmente em contexto ocupacional. Em Portugal, apesar da infeção estar documentada em animais, não existiam até à data casos humanos confirmados laboratorialmente. Este trabalho descreve o primeiro caso humano de infeção por vírus ORF confirmado em Portugal e analisa os desafios colocados sobre os sistemas de vigilância epidemiológica, no enquadramento da abordagem One Health.

Métodos: Foi realizada a investigação epidemiológica de um caso humano de infeção por vírus ORF após comunicação do resultado laboratorial pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge à autoridade de saúde de Almada-Seixal. A confirmação diagnóstica foi efetuada por método molecular após biópsia cutânea. Procedeu-se à caracterização clínica, epidemiológica e ocupacional do caso, bem como à articulação com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) regional para avaliação do risco e necessidade de intervenção no contexto da saúde animal.

Resultados: O caso refere-se a uma mulher de 23 anos, estudante de Medicina Veterinária, residente em Portugal, com história de mordedura por cabra ocorrida em outubro de 2025, durante uma visita de estudo a uma exploração de caprinos, no âmbito de atividades académicas de vacinação e desparasitação animal. Cerca de duas a três semanas após a exposição, surgiram lesões cutâneas localizadas, com agravamento progressivo, motivando observação no Serviço de Urgência do Hospital García de Orta a 26 de novembro. A confirmação laboratorial de infeção por vírus ORF foi comunicada apenas a 30 de dezembro, tendo nessa data sido realizada a investigação epidemiológica. À data do inquérito, a doente encontrava-se assintomática, com lesões em fase de cicatrização. Não foram identificados outros casos humanos associados, nem alterações clínicas relevantes nos animais da exploração.

Conclusões/Recomendações: Este caso constitui o primeiro registo humano de infeção por vírus ORF confirmado laboratorialmente em Portugal, assumindo relevância enquanto evento sentinela de uma zoonose com circulação conhecida no contexto animal. A deteção tardia, reflexo da inexistência de um sistema de notificação sistemática para esta patologia, e a realização diferida da investigação epidemiológica evidenciam limitações dos atuais modelos de vigilância para zoonoses não abrangidas pela notificação obrigatória. Estes resultados reforçam a necessidade de desenvolver mecanismos de vigilância integrados entre a saúde humana, animal e ambiental, bem como de reforçar a articulação interinstitucional, em linha com a abordagem One Health.

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