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XLIV Reunión anual de la Sociedad Española de Epidemiología (SEE) y XXI Congresso da Associação Portuguesa de Epidemiología (APE)
Pamplona, 23 - 26 junio 2026
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30. CO 09. Brotes
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861 - ESTRATÉGIA DE PROXIMIDADE NA VACINAÇÃO PÓS-EXPOSIÇÃO CONTRA HEPATITE A EM CONTEXTO DE SURTO NUMA COMUNIDADE VULNERÁVEL

F. Canha, J. Durão, R. Alves, J. Carreiro, M.M. Varela, A.F. Santos, J.D. Simões

Serviço de Saúde Pública, Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal.

Antecedentes/Objetivos: Em 2025, registou-se em Portugal o maior número de casos notificados de hepatite A desde a implementação do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, com 1.155 casos confirmados e surtos em diferentes contextos populacionais, nomeadamente na comunidade cigana. Este trabalho visa descrever a intervenção do Serviço de Saúde Pública da Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal (ULSAS) no controlo de um surto de hepatite A em indivíduos de etnia cigana, através de uma estratégia de vacinação pós-exposição de proximidade.

Métodos: Foi realizada uma análise descritiva dos casos de hepatite A associados ao surto identificado na área de abrangência da ULSAS em 2025. Para resposta ao surto foi constituída uma equipa multidisciplinar, integrando médicos de saúde pública e enfermeiros de saúde comunitária. Considerando as especificidades desta comunidade e as barreiras no acesso a cuidados de saúde descritas na literatura, foi delineada uma estratégia de intervenção no terreno. Com recurso a uma unidade móvel, foram realizados os inquéritos epidemiológicos e a vacinação pós-exposição dos contactos elegíveis no local de residência, em concordância com a Norma n.º 007/2025 da Direção-Geral da Saúde.

Resultados: O surto envolveu 6 casos confirmados de hepatite A, dos quais 3 eram residentes na área da ULSAS. A forma provável de transmissão foi pessoa-a-pessoa (fecal-oral), no contexto de estadia conjunta durante período de férias. Os casos residentes na área da ULSAS eram do sexo feminino, com idades entre 6 e 19 anos, irmãs e coabitantes. Foram identificados 5 contactos próximos, dos quais 4 eram elegíveis para vacinação em contexto de pós-exposição. A estratégia de intervenção no terreno permitiu a identificação da cadeia epidemiológica e a vacinação dos contactos elegíveis, bem como a comunicação direta de medidas de prevenção e mitigação da transmissão.

Conclusões/Recomendações: A implementação de uma estratégia de vacinação pós-exposição de proximidade revelou-se determinante para o controlo do surto, permitindo ultrapassar barreiras de acesso aos cuidados de saúde e promover a adesão às medidas preventivas. A intervenção direta na comunidade afetada, aliada ao alargamento da vacinação gratuita em contexto de pós-exposição/surto de hepatite A, mostrou-se essencial na superação da hesitação vacinal e interrupção da transmissão. O modelo multidisciplinar de atuação no terreno constitui uma abordagem replicável na resposta a surtos em populações vulneráveis. É crucial que os serviços de saúde se aproximem destas comunidades, atuando na proteção da saúde e prevenção da doença através de estratégias dirigidas.

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