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XLIV Reunión anual de la Sociedad Española de Epidemiología (SEE) y XXI Congresso da Associação Portuguesa de Epidemiología (APE)
Pamplona, 23 - 26 junio 2026
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130. Salud maternoinfantil
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276 - PERDAS GESTACIONAIS EM TERRITÓRIO RURAL: ANÁLISE DA ATENÇÃO MATERNA NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

A.G. Alves Pinto, K.N. de Souza Oliveira, M. Pereira Clemente, S. Pereira Queiroz, M.D. Maia Fechine, A.R. Bezerra Saraiva, E. Rodrigues Maia, C. Carneiro, R. de Sá Barreto Luna Callou Cruz

Universidade Regional do Cariri; Universidade Estadual do Ceará; Universidade de Pernambuco.

Antecedentes/Objetivos: As perdas gestacionais constituem importante indicador de iniquidades em saúde, especialmente em territórios rurais marcados por vulnerabilidades sociais, raciais e institucionais. No âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), a identificação precoce de riscos e a articulação da Rede de Atenção à Saúde (RAS) são fundamentais para a prevenção de desfechos maternos adversos. O objetivo deste estudo foi analisar a ocorrência das fragilidades do cuidado materno no território de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) rural do município de Iguatu, Ceará, Brasil.

Métodos: Estudo descritivo, qualitativo, baseado em diagnóstico situacional no território de uma UBS, com análise de dados secundários do Prontuário Eletrônico do Cidadão, registros da ESF e observação do processo de trabalho, considerando aspectos epidemiológicos, clínicos, socioeconômicos e institucionais, orientados pela estratificação de risco gestacional e abordagem interseccional.

Resultados: Entre 14 gestantes acompanhadas pela ESF, foram identificados quatro casos de aborto espontâneo (28,6%) no período analisado. As mulheres tinham entre 21 e 37 anos, eram majoritariamente pretas ou pardas (75%), com baixa renda, inserção laboral informal e residência em área rural de difícil acesso. Os casos apresentaram fatores de risco clínicos relevantes, como histórico de aborto prévio, natimortalidade, pré-eclâmpsia, infecção urinária, sangramento no primeiro trimestre e incompetência istmocervical. Observou-se atraso na realização de exames diagnósticos, fragilidades na comunicação entre a APS e os serviços especializados e ausência de protocolos locais sistematizados para o acompanhamento de gestantes de risco. As perdas gestacionais também repercutiram em sofrimento emocional significativo, com relatos de tristeza, culpa e ausência de apoio psicossocial estruturado.

Conclusões/Recomendações: As perdas gestacionais identificadas refletem a interação entre determinantes clínicos, sociais, raciais e fragilidades institucionais da RAS, configurando um cenário de iniquidade reprodutiva. Recomenda-se o fortalecimento da vigilância ativa das gestantes, a adoção sistemática da estratificação de risco gestacional, a qualificação da articulação entre os níveis de atenção e a incorporação do acolhimento psicológico pós-perda como componente do cuidado integral. Estratégias de educação permanente e abordagem interseccional são essenciais para ampliar a resolutividade da APS e promover equidade na atenção à saúde materna em territórios rurais.

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