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XLIV Reunión anual de la Sociedad Española de Epidemiología (SEE) y XXI Congresso da Associação Portuguesa de Epidemiología (APE)
Pamplona, 23 - 26 junio 2026
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9. ME 09. Utilização de registos eletrónicos de saúde para apoio à investigação e decisão em epidemiologia e saúde pública
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411 - EFETIVIDADE VACINAL CONTRA EVOLUÇÃO GRAVE DA COVID-19 EM PESSOAS IMUNOCOMPROMETIDAS, PORTUGAL, 2023-24

A. Brito, P. Soares, A. Machado

Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Antecedentes/Objetivos: A COVID-19 continua a ser um fator de risco para doença grave. As pessoas imunocomprometidas continuam a ser um grupo de alto risco, sendo recomendada a vacinação contra a COVID-19. Medir o efeito direto da vacina, através do cálculo da efetividade da vacina (EV), é fundamental na avaliação da estratégia em saúde pública. Contudo, a realização destes estudos em populações específicas, com recolha primária de dados é muito desafiante, sendo a utilização de registos eletrónicos uma opção mais exequível. Este estudo teve como objetivo estimar a EV contra a COVID-19 (XBB.1.5) na prevenção de hospitalização e morte em pessoas imunocomprometidas em Portugal, durante a época 2023-2024.

Métodos: Realizou-se um estudo de coorte retrospetivo em Portugal, baseado na ligação direta de registos de saúde eletrónicos de 6 sistemas de informação. Foram incluídas pessoas imunocomprometidas, com idade ≥ 18 anos, identificadas através de codificação ICPC-2, com diagnóstico de condição imunocomprometedora (tratamento oncológico ativo, doenças de imunodeficiência ou imunossupressão) nos 3 anos anteriores ao início da campanha de vacinação em outono de 2023. O seguimento iniciou-se 14 dias após o início da campanha e prolongou-se por 12 meses. O tempo desde a vacinação foi categorizado em 14-59, 60-119, 120-179 e 180-365 dias após a administração da dose em estudo. A efetividade vacinal foi estimada na prevenção de hospitalização e morte relacionadas com a COVID-19, utilizando modelos de riscos proporcionais de Cox ajustados para potenciais fatores de confusão.

Resultados: A coorte incluiu cerca de 300.000 indivíduos, tendo-se estimado uma cobertura vacinal de 41%. A efetividade vacinal contra hospitalização e morte relacionadas com a COVID-19 foi de 51% (IC95%: -31-94) e 53% (IC95%: -8-79), respetivamente, 14-59 dias após a vacinação em pessoas imunocomprometidas com idade ≥ 18 anos, diminuindo progressivamente com o tempo desde a vacinação, sem proteção residual observável entre 180-365 dias.

Conclusões/Recomendações: As vacinas adaptadas XBB.1.5 conferiram proteção moderada a curto prazo contra hospitalização e morte em pessoas imunocomprometidas, com rápido declínio da efetividade ao longo do tempo. Os resultados reforçam a necessidade de monitorização contínua e de estratégias de vacinação oportunas nesta população vulnerável. Evidenciam ainda a importância dos registos em saúde na investigação da EV em subpopulações pequenas, onde a evidência é limitada.

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