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XLIV Reunión anual de la Sociedad Española de Epidemiología (SEE) y XXI Congresso da Associação Portuguesa de Epidemiología (APE)
Pamplona, 23 - 26 junio 2026
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9. ME 09. Utilização de registos eletrónicos de saúde para apoio à investigação e decisão em epidemiologia e saúde pública
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427 - CONTRIBUTO DO USO DE REGISTOS ELETRÓNICOS EM INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA: EXEMPLO DE UMA COORTE HISTÓRICA DE MINEIROS EM PORTUGAL

H. Krippahl, S. Namorado, M.S. Uva, C. Caetano, C.M. Dias

Departamento de Epidemiologia, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Os registos eletrónicos de saúde (RES) são uma ferramenta fundamental na investigação epidemiológica, pois contêm informação centralizada e padronizada, permitindo integrar informação clínica estruturada e proveniente de múltiplas fontes. No presente trabalho será descrito o desenvolvimento metodológico utilizado para a integração de diferentes RES geridos por várias instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS), pelo Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) e Instituto Nacional de Estatística (INE), aplicado a um estudo de uma coorte histórica sobre mortalidade e morbilidade de mineiros em Portugal entre 1977 e 2024. A coorte inicial foi constituída com base na informação dos processos laborais individuais complementada com dados do Registo Nacional de Utente. O estudo de mortalidade utilizou informação provinda do Sistema de Informação dos Certificados de Óbito e do Sistema Integrado de Registo e Identificação Civil. Para o estudo de morbilidade foi utilizada informação obtida do Sistema de Informação e Monitorização do SNS e do Sistema de Monitorização de Regiões/Unidades Locais de Saúde, de morbilidade hospitalar (Base de Dados de Morbilidade Hospitalar) e de incidência de cancro (Registo Oncológico Nacional). Os dados comparativos foram obtidos do INE. O acesso aos dados necessitou de protocolos de colaboração com os sete serviços detentores da gestão e procedimentos de cada conjunto de dados, nos quais foram estabelecidos os termos de disponibilização, utilização e conservação dos dados, bem como as garantias de segurança de transmissão e proteção dos dados. Destacam-se como principais desafios o tempo prolongado de acesso aos dados, o envolvimento de um número elevado de entidades nos processos de cedência dos dados e a falta de integração plena entre os sistemas. Foi possível identificar 87% dos indivíduos da coorte inicial, embora com algumas inconsistências nalgumas variáveis nos diferentes sistemas de informação. Verificou-se também a reduzida disponibilidade de diagnósticos dos cuidados de saúde primários e de informação sobre hábitos tabágicos, o que sugere problemas de cruzamento de dados ou bases de dados incompletas, o que colocou desafios na sua utilização no estudo. Apesar das limitações encontradas, este trabalho evidencia a relevância dos RES como infraestrutura essencial para a investigação epidemiológica, permitindo análises rigorosas e longitudinalmente sustentadas, e representa um contributo pouco usual num contexto nacional, dada a escassez de estudos observacionais de grande magnitude com desenho de estudo de coorte que integrem de forma sistemática múltiplos sistemas de informação em saúde.

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