179 - PERFIL NUTRICIONAL E PADRÕES DE CONSUMO ALIMENTAR DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM SÍNDROME DE DOWN: ESTUDO TRANSVERSAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP.
Antecedentes/Objetivos: Crianças e adolescentes com síndrome de Down apresentam maior risco para inadequações nutricionais e excesso de peso, decorrentes de fatores metabólicos, clínicos e ambientais. A compreensão dos padrões alimentares e de sua variação temporal é relevante para a vigilância nutricional em saúde pública. O objetivo deste estudo foi comparar o perfil nutricional e o consumo alimentar de crianças e adolescentes com síndrome de Down, avaliando diferenças entre dias de semana e finais de semana.
Métodos: Estudo transversal, realizado com crianças e adolescentes de 1 a 15 anos, de um município do sudeste do Brasil. O consumo alimentar foi avaliado por meio de registro alimentar e questionário de frequência alimentar. A ingestão de energia, macronutrientes e micronutrientes foi comparada às recomendações das Dietary Reference Intakes, sendo categorizada como adequada ou inadequada. A comparação do consumo alimentar entre dias de semana e finais de semana foi realizada pelo teste de McNemar, considerando nível de significância de 5%. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu (CAAE n.º 76855024.2.0000.5411).
Resultados: A amostra foi composta por 36 participantes, com predominância do sexo feminino (52,8%). Observou-se prevalência elevada de eutrofia (80,6%), seguida de sobrepeso (13,9%) e magreza (5,6%). Quanto ao consumo alimentar, observou-se que a maioria dos participantes apresentou consumo ocasional ou ausente de frutas (55,6%) e de legumes e verduras (69,4%), indicando baixa frequência de ingestão desses alimentos in natura. Em contrapartida, 44,4% relataram consumo frequente de alimentos ultraprocessados e 41,7% de bebidas açucaradas. A ingestão hídrica mostrou-se amplamente inadequada, sendo observada em 94,4% da amostra. Na comparação entre dias habituais e atípicos, não foram observadas diferenças significativas para a maioria dos macronutrientes; entretanto, houve diferença estatisticamente significativa na adequação da ingestão de fibras, com piora nos finais de semana (p = 0,008).
Conclusões/Recomendações: Os achados indicam inadequações relevantes no padrão alimentar de crianças e adolescentes com síndrome de Down, com destaque para a piora da ingestão de fibras nos finais de semana. Do ponto de vista epidemiológico, os resultados reforçam a importância da vigilância alimentar e nutricional dessa população, bem como o desenvolvimento de intervenções voltadas à melhoria da qualidade da dieta, considerando o contexto familiar e social.
Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo-FAPESP (Processo 2023/10099-6).










