Sugerencias
Idioma
Métricas
Información de la revista

Congreso

Contenidos del congreso
Congreso
XLIV Reunión anual de la Sociedad Española de Epidemiología (SEE) y XXI Congresso da Associação Portuguesa de Epidemiología (APE)
Pamplona, 23 - 26 junio 2026
Listado de sesiones
Comunicación
61. CO 40. Salud e inmigración
Texto completo

458 - QUEM SÃO E POR QUE MORREM AS PESSOAS ATENDIDAS NO ÂMBITO DO PROCESSO TRANSEXUALIZADOR NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE BRASILEIRO? RESULTADOS DE UMA COORTE NACIONAL (2008-2015)

M.C. Lira, M.M. Souza, H.A. Rocha, F.B. Teixeira, M.L. Cherchiglia, F.B. Pilecco

Universidade Federal de Minas Gerais.

Antecedentes/Objetivos: Pessoas trans são classificadas como populações de difícil acesso, devido a barreiras estruturais a seu recrutamento. A produção científica sobre essa população baseia-se em técnicas de amostragem alternativas, como o respondent-driven sampling, que apresentam limitações quanto à generalização dos achados. Ademais, são escassos os estudos longitudinais que investigam sua mortalidade em contextos de sistemas universais de saúde. O objetivo deste estudo foi quantificar as pessoas trans atendidas no Processo Transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro e caracterizá-las quanto à ocorrência de óbitos.

Métodos: Por meio do pareamento de bases de dados epidemiológicas e administrativas (mortalidade, internações hospitalares e procedimentos de alto custo), foi construído um banco de dados centrado no paciente. Foram incluídas pessoas com 18 anos ou mais atendidas entre 2008 e 2015 no SUS, que realizaram procedimentos hospitalares ou ambulatoriais previstos nas Portarias do Processo Transexualizador ou que apresentaram, como diagnóstico principal de internação, transtorno de identidade sexual (CID-10).

Resultados: Foram incluídas 1.447 pessoas, das quais 27,7% tinham sexo atribuído ao nascimento feminino e 72,3% masculino, com idade mediana ao início da coorte de 33 anos (IIQ 25-41). Observou-se concentração regional no Sul (38,0%) e Sudeste (35,3%), seguidos por Nordeste (13,1%), Centro-Oeste (11,5%) e Norte (2,1%). O tempo total de acompanhamento foi de 16.523 pessoas-mês. No período, ocorreram 51 óbitos, correspondendo a um coeficiente médio de mortalidade de 37,0 óbitos por 1.000 pessoas-ano. As causas básicas de óbito foram doenças crônicas (n = 29), com destaque para doenças do aparelho circulatório (n = 14), causas externas (n = 12), neoplasias (n = 5) e doenças infecciosas (n = 2), com três óbitos atribuídos a sintomas, sinais e achados anormais. A mediana de idade ao óbito por todas as causas foi de 56 anos (IIQ 39-71), e por causas externas, de 35 anos (IIQ 30-40).

Conclusões/Recomendações: O uso de dados administrativos vinculados mostrou-se uma estratégia viável para a identificação, quantificação e acompanhamento de pessoas trans atendidas no SUS, superando parcialmente as limitações de estudos baseados exclusivamente em técnicas de amostragem alternativas. As desigualdades regionais observadas refletem diferenças na oferta, organização e acesso aos serviços vinculados ao Processo Transexualizador. Os achados sugerem a necessidade de ampliar o cuidado ofertado a essa população, incorporando ações de prevenção e manejo de condições crônicas e estratégias de enfrentamento das vulnerabilidades sociais associadas à mortalidade precoce, especialmente por causas externas.

Listado de sesiones

Idiomas
Gaceta Sanitaria