783 - ACESSO DE MULHERES MIGRANTES VENEZUELANAS AOS SERVIÇOS DE SAÚDE BUCAL NO BRASIL
Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Fiocruz; Universidad de Alicante.
Antecedentes/Objetivos: A migração venezuelana intensificou-se na última década em função da crise econômica, política e social no país de origem, com crescente presença de mulheres no Brasil, especialmente em Manaus (AM) e Boa Vista (RR). Apesar do princípio da universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e da ampliação do acesso à saúde bucal, evidências indicam que migrantes enfrentam barreiras socioeconômicas, institucionais e migratórias que limitam o uso de serviços odontológicos. Este estudo teve como objetivo descrever a utilização de serviços de saúde bucal segundo características socioeconômicas, demográficas e migratórias em mulheres venezuelanas de 15 a 49 anos residentes no Brasil.
Métodos: Trata-se de estudo transversal realizado em 2021 com mulheres venezuelanas residentes em Manaus e Boa Vista, utilizando amostragem por Respondent Driven Sampling (RDS). Foram incluídas mulheres residentes no Brasil há até três anos. A coleta de dados foi presencial, com questionário estruturado aplicado em tablets. A variável desfecho foi o uso de serviços de saúde bucal no Brasil, e estimaram-se prevalências segundo características sociodemográficas, econômicas e migratórias.
Resultados: A amostra total foi de 2.012 participantes, das quais 1.665 responderam à variável de interesse. Destas, 67% relataram ter utilizado serviços de saúde bucal no Brasil. A não utilização foi mais frequente entre residentes de Boa Vista, mulheres com menor escolaridade, migrantes em situação irregular, sem emprego formal, sem renda no último mês e não beneficiárias de programas sociais. Não foram observadas diferenças relevantes segundo cor da pele e situação conjugal.
Conclusões/Recomendações: Os resultados evidenciam baixa utilização de serviços de saúde bucal entre mulheres migrantes venezuelanas, marcada por desigualdades socioeconômicas, territoriais e migratórias. Recomenda-se o fortalecimento de estratégias no SUS voltadas a populações migrantes, com ações territoriais, ampliação da informação sobre direitos, integração com programas sociais e políticas de regularização migratória, visando reduzir iniquidades no acesso à saúde bucal.
Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).










