709 - FATORES ASSOCIADOS À MORTALIDADE EM UM ANO APÓS INTERNAÇÃO RELACIONADA AO HIV NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE BRASILEIRO
Universidade Federal de Minas Gerais; Instituto Federal de Minas Gerais Campus Ouro Preto.
Antecedentes/Objetivos: A mortalidade após a alta hospitalar é um importante indicador da qualidade e da continuidade do cuidado às pessoas vivendo com HIV. Embora indivíduos hospitalizados apresentem risco aumentado de morte após a alta, esse desfecho permanece pouco investigado no Sul Global, especialmente em contextos de desigualdades regionais e barreiras de acesso aos serviços de saúde. Este estudo teve como objetivo avaliar fatores associados ao óbito em até um ano após a alta hospitalar entre indivíduos internados no Sistema Único de Saúde (SUS) por condições relacionadas ao HIV.
Métodos: Estudo de coorte retrospectiva com dados da Base Nacional de Saúde, construída por meio de vinculação determinística-probabilística de bases epidemiológicas e administrativas do SUS. Foram incluídos adultos (≥ 18 anos) com ao menos uma internação hospitalar com código CID-10 relacionado ao HIV/Aids, entre 01/01/2000 e 30/05/2015. Variáveis associadas à mortalidade em até um ano após a alta foram avaliadas por regressão logística multivariável.
Resultados: Foram identificados 206.040 indivíduos e 368.151 internações relacionadas ao HIV/Aids. Desses, 45.780 (22,2%) evoluíram para óbito em até um ano após a internação. Maior chance de óbito esteve associada ao sexo masculino (OR 1,22; IC95% 1,20-1,24), à presença de uma (OR 1,31; IC95% 1,28-1,34) ou mais comorbidades (OR 1,39; IC95% 1,33-1,45), à idade avançada (30-44 anos: OR 1,20; IC95% 1,17-1,22; ≥ 45 anos: OR 1,55; IC95% 1,51-1,58), à ocorrência de reinternações precoces (OR 1,44; IC95% 1,40-1,47), à internação por doenças definidoras de Aids (OR 1,11; IC95% 1,09-1,13), à residência nas regiões Sul (OR 1,17; IC95% 1,15-1,19), Centro-Oeste (OR 1,20; IC95% 1,16-1,24) e Norte (OR 1,22; IC95% 1,18-1,26) (em comparação ao Sudeste), em municípios intermediários (OR 1,16; IC95% 1,10-1,22) ou rurais (OR 1,12; IC95% 1,07-1,17), e à necessidade de deslocamento superior a uma hora para acesso ao cuidado (OR 1,08; IC95% 1,04-1,11). A residência na região Nordeste associou-se a menor chance de óbito.
Conclusões/Recomendações: A elevada mortalidade após internações relacionadas ao HIV/aids indica que o hospital permanece como uma importante porta de entrada para casos em estágio avançado ou clinicamente descompensados. A associação com comorbidades, doenças definidoras de Aids, reinternações precoces e barreiras territoriais reforça a necessidade de integrar o cuidado hospitalar ao seguimento longitudinal, com a implementação de protocolos de monitoramento pós-alta, bem como de enfrentar desigualdades regionais e de acesso por meio do fortalecimento da rede de atenção e a descentralização de serviços de média e alta complexidade.
Financiamento: FAPEMIG.










