384 - MAPEAMENTO DE DEMANDAS PSICOSSOCIAIS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: O CICLO DAS INFORMAÇÕES COMO DISPOSITIVO CARTOGRÁFICO
Universidade Regional do Cariri; Prefeitura Municipal de Milagres; Centro Universitário Paraíso; Universidade Estadual Vale do Acaraú; Universidade Estadual do Ceará.
Antecedentes/Objetivos: Objetivou-se fomentar a construção de estratégias coletivas e de cuidado em saúde mental a partir de um “Ciclo de levantamento das informações sobre saúde mental: Mapeando o Território”, visando identificar necessidades reais e vulnerabilidades no território da Atenção Primária à Saúde (APS). O foco residiu em analisar como o levantamento de demandas psicossociais pode guiar a intervenção e a capacitação prática para a promoção da saúde mental.
Métodos: Trata-se de uma pesquisa-intervenção de natureza participativa, fundamentada no método cartográfico de Deleuze e Guattari e na perspectiva hermenêutico-dialética. Esta fase, denominada Ciclo das Informações, utilizou o diagnóstico situacional para cruzar o perfil epidemiológico de agravos psicossociais com a realidade vivida no território, mapeou experiências e fluxos de cuidado no Município de Milagres, Ceará, Brasil, utilizando abordagens participativas, metodologias ativas e integração de dados oficiais a registros em diário de campo e oficinas com profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF).
Resultados: O mapeamento revelou uma alta prevalência de sofrimento psíquico, muitas vezes invisibilizado nos registros oficiais, mas pulsante no cotidiano das visitas domiciliares. Identificou-se que o "Ciclo das Informações" funciona como um campo de forças que revela a necessidade de superar o modelo puramente medicamentoso. O diagnóstico permitiu visualizar o território não apenas como espaço geográfico, mas como um plano de subjetividades, onde as demandas de saúde mental se entrelaçam com questões de gênero, vulnerabilidade social e carência de suporte matricial.
Conclusões/Recomendações: A cartografia das demandas na APS mostrou-se relevante para que o cuidado em sua integralidade assistencial com ênfase na prevenção, promoção da saúde e resolutividade. O levantamento participativo empoderou as equipes ao transformar dados brutos em conhecimento sensível sobre o território, com legitimação das ações de saúde mental. Recomenda-se a adoção de dispositivos cartográficos permanentes como estratégia para fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e garantir que as políticas públicas respondam às singularidades de cada comunidade.
Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq (Universal - Processo 408274/2023-9).
Conflito de interesses: uma coautora é servidora pública do município de Milagres, Ceará.










