910 - COMPETÊNCIAS DOS PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA PARA INSERÇÃO DO DIU EM MULHERES COM DEFICIÊNCIA
Universidade Regional do Cariri (URCA); Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE); Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro do Norte (Estácio FMJ).
Antecedentes/Objetivos: A inserção do dispositivo intrauterino na Atenção Primária à Saúde constitui estratégia fundamental para ampliação do acesso ao planejamento reprodutivo. Entretanto, mulheres com deficiência enfrentam barreiras arquitetônicas, organizacionais e atitudinais que limitam o cuidado contraceptivo. Objetivou-se analisar as competências de médicos e enfermeiros da estratégia saúde da família para inserção do dispositivo intrauterino, com especial atenção às mulheres com deficiência, identificando lacunas formativas e organizacionais que subsidiem o desenvolvimento de tecnologia educacional.
Métodos: Estudo qualitativo, exploratório-descritivo, realizado em 2025 com médicos e enfermeiros da Estratégia Saúde da Família de município do Ceará, Brasil. Os dados foram produzidos por entrevistas semiestruturadas e analisados segundo a Análise de Conteúdo temática. As competências foram examinadas nas dimensões conhecimentos, atitudes e habilidades práticas.
Resultados: Evidenciaram-se fragilidades nos conhecimentos normativos e nas diretrizes relacionadas à saúde da pessoa com deficiência, insegurança profissional diante da inserção do dispositivo intrauterino e limitações nas habilidades práticas, especialmente entre enfermeiros. Médicos apresentaram maior domínio técnico do procedimento, porém com lacunas na abordagem ampliada e inclusiva do cuidado. Barreiras organizacionais e ausência de protocolos institucionais favoreceram condutas defensivas e encaminhamentos desnecessários. Emergiram demandas por instrumento estruturador da prática assistencial.
Conclusões/Recomendações: As competências profissionais para inserção do dispositivo intrauterino na Atenção Primária à Saúde mostram-se heterogêneas e condicionadas por fatores institucionais. O desenvolvimento de protocolo assistencial contextualizado apresenta potencial para promover cuidado contraceptivo mais equitativo, inclusivo e resolutivo. Recomenda-se validação e avaliação de efetividade da tecnologia em diferentes cenários.
Financiamento: Ministério da Saúde do Brasil.










