838 - PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS E TENDÊNCIA DA MORTALIDADE POR TUBERCULOSE EM PESSOAS COM 20 ANOS OU MAIS NO BRASIL, 2013-2023
Faculdade São Leopoldo Mandic, Campinas-SP, Brasil.
Antecedentes/Objetivos: A tuberculose é um problema de saúde pública mundial. No Brasil a incidência da doença vem aumentando nos últimos anos, de modo que, em 2030, estima-se 42 casos a cada 100 mil habitantes. O objetivo do estudo foi descrever o perfil epidemiológico dos óbitos e a tendência das taxas de mortalidade por tuberculose em adultos (≥ 20 anos) no Brasil, entre 2013-2023.
Métodos: Estudo ecológico de série temporal, descritivo, realizado com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Considerou-se os óbitos cuja causa básica foi a tuberculose (Códigos CID-10: A15-A19), registrado na população brasileira com idade ≥ 20 anos, entre 2013-2023. As variáveis foram: região de residência, sexo, faixa etária, raça/cor da pele e escolaridade. Na análise dos dados, utilizou-se a estatística descritiva com frequências absolutas e proporções. As taxas de mortalidade por 100 mil habitantes foram calculadas segundo a região, o sexo e faixa etária. Foi usado o Microsoft Excel para organização e análise dos dados.
Resultados: Foram notificados 51.992 óbitos entre 2013 e 2023, com maior proporção na região Sudeste (43,3%), sexo masculino (75,6%), pessoas com 60 anos ou mais (40,7%), raça/cor parda (50,2%) e com escolaridade entre 1-7 anos de estudo (48,7%). A maior taxa de mortalidade ocorreu na região Norte e Nordeste (em média 4,0 óbitos/100 mil habitantes), nos idosos (em média 6,0; 7,4 e 10,5 óbitos/100 mil habitantes nas faixas etárias 60-69; 70-79 e ≥ 80 anos, respectivamente) e no sexo masculino (em média 5,1 óbitos/100 mil habitantes versus 1,5 óbitos/100 mil no sexo feminino). De modo geral, a partir de 2020, houve aumento na tendência da taxa de mortalidade para a maioria das regiões do país.
Conclusões/Recomendações: A mortalidade por tuberculose no Brasil permanece elevada e apresenta tendência de crescimento a partir de 2020, com maiores taxas entre homens, idosos, e residentes na região Norte e Nordeste. Os achados indicam importantes desigualdades sociais e regionais na mortalidade por tuberculose, reforçando a necessidade de fortalecer a vigilância e integrar estratégias intersetoriais que ampliem o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno, especialmente entre populações vulneráveis.










