103 - CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DE SOBREVIDA DE CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN QUE FORAM A ÓBITO DURANTE INTERNAÇÃO EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA
UNESP-Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Medicina de Botucatu; UNESP-Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências de Botucatu.
Antecedentes/Objetivos: Caracterizar as crianças com síndrome de Down que tiveram o óbito como desfecho, durante a internação em Unidade de Terapia Intensiva pediátrica e realizar a análise de sobrevida destas crianças.
Métodos: Estudo observacional, retrospectivo, com análise transversal dos dados e avaliação de tempo até o óbito, para análise de sobrevida. Coleta de dados de registro de prontuários dos últimos 11 anos (2013-2023), de crianças e adolescentes com síndrome de Down (SD) internadas em Unidade de Terapia Intensiva pediátrica (UTIped) de um Hospital Universitário, no interior de São Paulo, Brasil. Projeto aprovado pelo Comitê de ética em pesquisa. Analise estatística com o software Statistical Analysis System e, análise de sobrevida realizada por meio do estimador de Kaplan-Meier, com comparação das curvas de sobrevida segundo as variáveis de interesse, pelo teste de log-rank e, nível de significância de 5% (p < 0,05).
Resultados: O percentual de óbitos dentre as internações foi de 20,9%, sendo 50% delas do sexo feminino, metade foram em menores de um ano de idade e a outra metade entre 1 e 12 anos. sem óbito entre os maiores de 12 anos. A maioria dos pacientes apresentava magreza (72,2%) e o restante eram eutróficos (27,8%). A presença de cardiopatia foi identificada em 94,4% das internações, sendo 76,5% cardiopatia complexa. Os estados pós-cirúrgicos foram o principal motivo da internação, sendo cirurgia cardíaca em 27,8%; seguido de quadros respiratórios (22,2%). Em 77,8% das internações que evoluíram à óbito, a hemocultura foi positiva e 44,4% urocultura positiva; 50% dos pacientes apresentaram ao menos uma cultura positiva e 11,1% quatro ou mais. A menor parte desses pacientes utilizaram apenas um antibiótico (38,9%), sendo que 55,2% receberam pelo menos dois e 5,5% três ou mais. O tempo de internação variou de um a 81 dias. A análise de sobrevida não demonstrou diferença significativa entre as curvas de sobrevida segundo sexo, presença de cardiopatia, diagnóstico nutricional, resultados de hemocultura e urocultura, bem como número de antibióticos utilizados.
Conclusões/Recomendações: Foi elevada a complexidade clínica destas crianças, com alta prevalência de comorbidades e alta prevalência do óbito. A infecção durante a internação foi um fator relevante nestas internações e no desfecho, sendo que entre estas crianças, não houve alteração na análise de sobrevida entre os critérios analisados.
Financiamento: Fapesp-Fundação de amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo-Processo 2023/10099-6.










